de repente (ou não)

fevereiro 13, 2012

De repente da calma fez-se o vento, que nos olhos desfez a última chama.

E da paixão fez-se o pressentimento, e do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente, fez-se do triste o que se fez amante,

E de sozinho o que se fez contente, fez-se do amigo próximo, o distante,

fez-se da vida, uma aventura errante.

De repente, não mais que de repente…

(Vinícius de Moraes)

Pra ler ouvindo isso.

Vincent Van Gogh´s Sorrow

Sorrow (Vincent van Gogh)

Respingos

outubro 19, 2011

respingosTristeza profunda é o que eu estou sentindo. Olho em volta e vejo um monte de gente mas é como se eu estivesse em outra dimensão, onde ouço e vejo todos mas ninguém me vê. Sinto meus ombros duros e pesados, meu maxilar está travado e ranjo os dentes sem perceber. A saliva tem um gosto amargo, com sabor de algum resto de coisa vivida já velha, fermentada. A respiração é curta como que tentasse manter a invisibilidade e pesa, dói nas costas e estala os ossos mas só pela metade.

Desesperadamente busco alguma memória, qualquer uma, primeiro cronologicamente, depois aleatoriamente, através de fotos, músicas, arquivos guardados casualmente na pasta temp. Cookies salvos inadvertidamente. Mas não encontro nada. Na RAM só fragmentos de memórias recentes. Recursos de recuperação do sistema.

Não posso fazer nada. Quero? Não sei. Não penso. Nem vivo. Só respiro curto e olho a janela suja de respingos.

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